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Comprar prata em Portugal

A prata não é uma versão barata do ouro, e em Portugal a diferença começa na fatura. O ouro para investimento está isento de IVA por força de um decreto próprio; a prata não está, e suporta a taxa normal sobre o preço inteiro — 23 % no Continente, 22 % na Madeira, 16 % nos Açores. Essa única linha altera as contas de quem detém o metal mais do que qualquer movimento razoável da cotação diária.

Este guia segue esse fio da compra até à venda: porque é que a isenção foi escrita apenas para o ouro, o que o regime de tributação pela margem permite mesmo e onde falha na prática, porque não há taxa reduzida na importação de moedas de coleção, quais são os toques legais e o que acontece no momento de vender.

O texto não nomeia negociantes, não recomenda compras e não é aconselhamento fiscal. Um aviso desde já: várias certezas de textos alemães — prazo de detenção, limite de isenção, regime de margem como norma, taxa reduzida na importação — não se transpõem para Portugal.

Por Markus Markert · Última atualização: 11 de agosto de 2026

Índice
  1. Os 23 % que mudam tudo
  2. Porque é que o ouro para investimento escapa ao IVA e a prata não
  3. Continente, Madeira e Açores: três taxas para o mesmo metal
  4. A tributação pela margem: o que a lei diz mesmo
  5. Onde a margem falha: o caminho de aquisição
  6. Sem taxa reduzida na importação de moedas de coleção
  7. O que o imposto faz a uma ida e volta
  8. Metade metal industrial, e o que isso faz ao preço
  9. Prata portuguesa: Neves-Corvo, Aljustrel e a faixa piritosa
  10. Moedas ou barras quando o IVA recai sobre ambas
  11. Toque: 999, 925 e a prata que se herda
  12. Volume, peso e o problema de guardar
  13. Comprar: identificação, dinheiro vivo e os limites
  14. A prata na fronteira não é «dinheiro líquido»
  15. Comprar à distância, garantia e a proteção que existe
  16. Vender: o IRS não incide, com três ressalvas
  17. Os erros que saem mais caros em Portugal
Competente. Independente. Sério.

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Tema
Gráfico do Preço do Prata
Gráfico de Preços

O gráfico mostra a evolução do preço do Prata ao longo do período selecionado. Passe o rato sobre o gráfico para ver o preço exato num dia específico.

Selecione o período acima (Hoje a Máx.). Pode ampliar uma área com o rato. Os cartões de estatísticas abaixo mostram máximo, mínimo e variação para o período selecionado.

Dica: No período "Hoje", pode ver dados intradiários com resolução ao minuto.

+0,76% 59,50
EUR
Atual
(24-08-26)
59,50 €
Dia Anterior
(21-08-26)
59,05 €
Variação
+0,45 € +0,76%
Diário Máximo
(24-08-26)
59,54 €
Diário Mínimo
(24-08-26)
58,99 €
Máximo Histórico
(29-01-26)
98,65 €
Preço do Prata Movimento de hoje: Atual 59,50 € (24-08-26), Máximo 59,54 € (24-08-26), Mínimo 58,99 € (24-08-26), Variação +0,76 %.

O fisco português trata quem compra prata de forma muito diferente de quem compra ouro, e a distância abre-se antes de o metal se mexer. Tudo se mede contra a cotação da prata, que mostra o metal e nunca o que uma compra em Portugal custa de facto.

Os 23 % que mudam tudo

A taxa normal do IVA aplica-se à prata física em todas as formas de investimento: barras fundidas, barras cunhadas, medalhas e moedas bullion. A base está no artigo 18.º n.º 1 alínea c) do Código do IVA. Não há taxa reduzida para material de investimento nem limiar abaixo do qual o imposto desapareça, e a mesma lógica atinge a platina e o paládio — é por isso que o guia sobre platina e paládio abre no mesmo obstáculo.

O efeito é fácil de subestimar porque não aparece em gráfico nenhum. O preço da montra contém o valor do metal, o custo de fabrico, a margem do negociante e o imposto, e só o primeiro consta da cotação que anda a seguir; passar uma proposta pela calculadora de valor de fundição devolve o metal puro.

Importante

Quem compra ouro para investimento recebe uma fatura sem imposto; quem compra o mesmo valor em prata entrega quase um quarto do preço ao Estado no primeiro minuto.

Componente do preço da montra Consta da cotação que segue?
Valor do metal Sim
Custo de fabrico Não
Margem do negociante Não
IVA Não

Porque é que o ouro para investimento escapa ao IVA e a prata não

A isenção do ouro está redigida de forma estreita, e lê-la explica porque é que a prata nunca lá poderia caber. Vive num diploma próprio, o Decreto-Lei n.º 362/99, fora do Código do IVA, cujo artigo 3.º isenta as transmissões, as aquisições intracomunitárias e as importações de ouro para investimento. Para as barras exige toque de 995 milésimos ou mais e pesos aceites no mercado, excluindo as peças de peso igual ou inferior a 1 grama; para as moedas exige quatro critérios cumulativos: toque de 900 ou mais, cunhagem posterior a 1800, curso legal — atual ou passado — no país de origem e preço que não exceda em mais de 80 % o valor do ouro contido.

Requisito da isenção Barras de ouro Moedas de ouro
Toque 995 milésimos ou mais 900 milésimos ou mais
Peso ou data Pesos aceites no mercado; excluídas as peças de peso igual ou inferior a 1 grama Cunhagem posterior a 1800
Curso legal Não se aplica Atual ou passado, no país de origem
Preço de venda Não se aplica Não exceder em mais de 80 % o valor do ouro contido

Uma isenção do ouro, não dos metais preciosos

Todos estes testes falam de ouro. O legislador escreveu uma isenção do ouro e não dos metais preciosos, pelo que duas moedas do mesmo diâmetro e da mesma casa da moeda são tributadas de maneira radicalmente diferente consoante o metal. É a maior vantagem estrutural do ouro sobre a prata em Portugal, e é por aí que começa o guia sobre comprar ouro. A lista europeia das moedas isentas para 2026, dada a conhecer por ofício-circulado da Autoridade Tributária, inclui entradas portuguesas como as moedas de 1, 100, 200 e 500 escudos — é uma lista de moedas de ouro, e não existe equivalente para a prata.

Continente, Madeira e Açores: três taxas para o mesmo metal

O IVA português tem três taxas normais consoante o território.

Território Taxa normal de IVA
Continente 23 %
Madeira 22 %
Açores 16 %

Desde a Lei n.º 12/2022 os valores regionais deixaram de constar do articulado do Código do IVA, ficando a habilitação para os fixar no artigo 18.º n.º 3, e em 2026 mantêm-se inalterados. A consequência é imediata: o mesmo tubo de moedas não custa o mesmo em Ponta Delgada e no Porto, e os sete pontos percentuais de diferença são mais do que a margem comercial de muitos negociantes. A entrada do léxico sobre IVA na prata resume o enquadramento.

Duas cautelas. A taxa aplicável a uma encomenda expedida de uma região para outra não é matéria que este texto resolva.

Aviso

Quem compra à distância deve confirmar na fatura a taxa efetivamente liquidada, em vez de a presumir pela morada de entrega.

E a diferença regional nada altera quanto ao ouro, isento em todo o território nacional — a discussão de taxas só existe para a prata, a platina e o paládio.

A tributação pela margem: o que a lei diz mesmo

O regime especial dos bens em segunda mão, objetos de arte, de coleção e antiguidades consta do Decreto-Lei n.º 199/96. O ponto decisivo está no artigo 2.º alínea a): ao definir «bens em segunda mão», a norma exclui os metais preciosos — e ressalva expressamente dessa exclusão as «moedas ou artefactos». Traduzido: uma barra de investimento não é bem em segunda mão para este efeito, mas uma moeda pode sê-lo. A tributação pela margem não está fechada às moedas de prata pela natureza do metal.

O que muda numa fatura em regime de margem

Quando se aplica, o imposto incide apenas sobre a diferença entre o preço de venda e o preço de aquisição do revendedor, e a fatura menciona o regime sem discriminar montante algum de IVA: o comprador não consegue ler quanto imposto pagou e uma empresa compradora nada pode deduzir. É aqui que a experiência alemã induz em erro, porque na Alemanha o regime é a prática corrente nas moedas de prata, ao ponto de estas serem sistematicamente mais baratas do que as barras. Quem traga essa expectativa para o mercado português encontra preços que não a confirmam, e a razão não está na moeda: está no caminho por onde ela chegou à loja.

Onde a margem falha: o caminho de aquisição

O artigo 3.º n.º 1 do mesmo diploma fixa a condição: o regime só vale quando o revendedor adquiriu o bem a um particular, a um sujeito passivo isento sem direito a dedução ou a outro revendedor que já tenha aplicado o regime. O critério não é o objeto, é a proveniência. Uma moeda bullion acabada de cunhar, adquirida ao grossista ou à casa da moeda, sai para o cliente com a taxa normal sobre o preço inteiro; a mesma moeda, comprada ao balcão a um particular, pode ser revendida em regime de margem — o mesmo objeto, com o mesmo peso e o mesmo toque, com dois preços finais diferentes. Uma venda entre particulares não liquida IVA nenhum, e é isso que abre a porta ao regime na revenda seguinte.

A conclusão é decisiva: no mercado português, o produto novo — a esmagadora maioria da oferta de prata de investimento — não beneficia da margem. Vale por isso a pena ler a fatura, que o artigo 29.º n.º 1 alínea b) do Código do IVA obriga o vendedor a emitir «ainda que estes não a solicitem» e que tem de indicar o motivo justificativo sempre que o imposto não seja aplicado.

Dica

Dê sempre o número de identificação fiscal: a prova documental da compra é o que sustenta a sua posição anos mais tarde.

Sem taxa reduzida na importação de moedas de coleção

Quem chega de textos alemães conhece o atalho: importar moedas de coleção com a taxa reduzida de 7 %. Em Portugal esse atalho não existe. O artigo 15.º alínea a) do Decreto-Lei n.º 199/96 concede a taxa reduzida na importação apenas aos «objectos de arte», e as peças de numismática não estão abrangidas: uma moeda de prata que entre no território aduaneiro da União é tributada à taxa normal da região de destino.

Comprar fora não elimina o imposto

A consequência desmonta uma ideia persistente. Comprar prata fora não elimina o imposto: desloca o momento em que é cobrado, do balcão para o desembaraço aduaneiro, e acrescenta transporte, seguro e serviço de despacho, normalmente adiantados pelo transportador. O funcionamento está descrito na entrada sobre alfândega e importação de metais preciosos. Comparar um preço estrangeiro com um preço nacional só faz sentido com todos esses custos dentro dos dois números — e, na maioria dos casos, a conta acaba perto do empate.

O que o imposto faz a uma ida e volta

O imposto não é uma comissão por um serviço: é uma redução permanente da quantidade de metal que o seu dinheiro compra. Um particular não o deduz nem o recupera, e quem um dia lhe comprar pagará pelo conteúdo em prata e por mais nada. É por isso que, em Portugal, a prata se comporta como uma posição de horizonte longo, tenha ou não sido essa a intenção.

Sobre o imposto assentam dois custos. O prémio é o montante pelo qual o preço pedido excede o valor do metal, e na prata é proporcionalmente muito maior do que no ouro, porque afinar, cunhar e distribuir custa quase o mesmo por peça e esse trabalho reparte-se por valores de ordem diferente. O spread entre o preço a que o negociante vende e aquele a que recompra é igualmente mais largo.

O imposto incide também sobre o prémio

E há o efeito que quase ninguém antecipa: o IVA incide sobre o preço e não sobre o metal, ou seja, também sobre o prémio e sobre a margem. Os custos multiplicam-se em vez de se somarem, e é isso que explica a distância entre a cotação e o preço da montra. Não indicamos prémios habituais no mercado português, porque não há fonte pública que os fixe.

Dica

Simule uma saída hipotética com a calculadora de preço de compra antes de comprar, e não depois.

Metade metal industrial, e o que isso faz ao preço

Uma parte substancial da procura anual de prata é consumo industrial e não investimento. A prata industrial entra em contactos elétricos, ligas de brasagem, eletrónica e sobretudo em células fotovoltaicas, e boa parte dispersa-se em quantidades minúsculas que nunca são recuperadas — uma diferença estrutural face ao ouro, que quase todo continua a existir.

A prata reage por isso ao ciclo económico e oscila mais em ambos os sentidos, enquanto a oferta se ajusta devagar, porque parte relevante da produção mineira aparece como subproduto de explorações de cobre, chumbo e zinco. A mecânica está desenvolvida no guia sobre entender o preço da prata; note-se apenas que a imprensa fala em euros por onça e o balcão em euros por grama, e que o Banco de Portugal não fixa cotação própria, divulgando a referência internacional convertida.

Prata portuguesa: Neves-Corvo, Aljustrel e a faixa piritosa

Portugal produz prata, mas não tem propriamente minas de prata: o metal sai como subproduto de explorações polimetálicas. Neves-Corvo, na faixa piritosa ibérica, produziu em 2025 58 718 quilogramas de prata a par do cobre, do zinco e do chumbo que são o seu negócio principal, e desde abril de 2025 pertence ao grupo Boliden; em Aljustrel, na mesma faixa geológica, a exploração de zinco, chumbo e prata suspendeu a produção de concentrados em setembro de 2023.

A história é mais antiga: no norte do país, o complexo mineiro romano de Tresminas — três cortas a céu aberto, a maior com cerca de 500 metros de comprimento — documenta extração de ouro à escala industrial, e a última mina em atividade, Jales, produziu entre 1933 e 1992 cerca de 23,5 toneladas de ouro e 81,1 toneladas de prata. Para o comprador, o mais revelador é o que falta: não existe refinaria portuguesa na lista Good Delivery da LBMA, e a primeira moeda de investimento genuinamente portuguesa só chegou em 2026, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda — e é de ouro.

Moedas ou barras quando o IVA recai sobre ambas

A peso fino igual, o metal é o metal. O que separa moedas e barras em Portugal não é a taxa à entrada, que é a mesma, mas a divisibilidade, o prémio e a possibilidade — remota no produto novo — de a peça vir a circular em regime de margem. A barra de um quilograma é a prata mais barata por grama e a menos flexível, porque um terço de barra não se vende; as barras cunhadas em blister custam mais e movimentam-se melhor; a moeda bullion custa mais ainda, mas é divisível, reconhecida de imediato e fica fora do regime jurídico da ourivesaria quando tem curso legal.

Forma Prémio por grama Vender em partes Elegível para a margem Regime da ourivesaria
Barra de um quilograma o mais baixo não não abrangida
Barra cunhada pequena mais alto uma barra de cada vez não abrangida
Moeda bullion ainda mais alto moeda a moeda sim, se vier de particular excluída, tem curso legal
Moeda antiga ou de coleção variável moeda a moeda sim, mesmo caminho excluída

Leia a quarta coluna com cuidado, porque não descreve o produto mas o percurso: nenhuma moeda comprada nova ao grossista aproveita o regime, por muito que a coluna diga «sim».

Toque: 999, 925 e a prata que se herda

A lei portuguesa reconhece para a prata cinco toques legais: 999, 925, 835, 830 e 800 milésimos. O toque exprime-se em milésimos, pelo que 925 significa 925 partes de prata em cada mil partes de liga, e confundir estes números é a maneira mais comum de sobreavaliar um conjunto herdado.

O 999 é o padrão da prata de investimento, com peso bruto e peso fino praticamente coincidentes. O 925 é a prata de lei da baixela, da joalharia e de muita moeda antiga — um quilograma de peças em 925 contém 925 gramas de metal e não um quilograma. Os toques 800, 830 e 835 aparecem sobretudo em talheres, peças antigas e moedas de circulação anteriores à substituição da prata por ligas de níquel.

Toque Onde aparece O que significa no peso
999 Prata de investimento Peso bruto e peso fino praticamente coincidentes
925 Baixela, joalharia e muita moeda antiga Um quilograma de peças contém 925 gramas de metal
835, 830 e 800 Talheres, peças antigas e moedas de circulação Menos metal fino ainda por quilograma

Aviso

Uma baixela herdada avalia-se como sucata e não como bullion: conta o peso fino, e nem o cabo de uma faca, habitualmente cheio de resina, conta inteiro.

A calculadora de prata faz a conta com peso, toque e quantidade em conjunto.

O contraste é uma função pública

Em Portugal, ao contrário da Alemanha, a verificação do toque é uma função pública: as Contrastarias de Lisboa e do Porto, exploradas pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, aplicam as punções legais e a fiscalização do comércio cabe à ASAE, pelo que a punção não é uma declaração voluntária do fabricante. O regime jurídico da ourivesaria abrange as barras e exclui expressamente as moedas com curso legal ou antigas; sobre as barras importadas com marca de refinaria reconhecida, a articulação com o contraste nacional não está esclarecida em fonte pública acessível, e este guia não afirma o contrário. Quem comercializa em linha tem, esse sim, de indicar nome, número de identificação fiscal e número do título de atividade, informar sobre a possibilidade de verificação nas Contrastarias e manter disponível a cotação diária dos quatro metais.

Verificar uma peça sem marcas

Uma barra de investimento traz a marca da refinaria com peso e toque, número de série nos formatos maiores e, nas peças pequenas, um blister selado. Onde não há marcas, restam as verificações físicas: a prata não é magnética, a densidade denuncia um núcleo errado mesmo com as dimensões certas, e há um ensaio que só funciona neste metal — o teste do gelo, em que um cubo pousado sobre prata maciça derrete visivelmente mais depressa por causa da condutividade térmica.

Volume, peso e o problema de guardar

O preço baixo por onça é o que atrai à prata e é também o que cria o problema seguinte: pelo mesmo dinheiro recebe muitas vezes mais peso e, como a prata é menos densa, o volume multiplica-se outra vez. Uma posição em ouro que cabe numa gaveta transforma-se numa pilha de caixas, o que determina que cofre é preciso e quanto custa transportar — e interage mal com o prémio, porque a prata mais barata por grama vem no formato que ocupa mais espaço. A calculadora de plano de poupança mostra com que rapidez uma compra mensal modesta se converte em volume a sério.

Seguro e oxidação

O seguro é o segundo problema, e aqui é preciso separar lei de prática de mercado: a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões descreve o seguro multirriscos habitação sem sequer mencionar metais preciosos.

Cuidado

Pelo menos um clausulado corrente exclui do conceito de recheio os «metais preciosos não trabalhados», que só ficam cobertos por menção expressa na apólice.

Some-se o cuidado com a oxidação, que não altera peso nem toque mas custa na revenda.

Dica

Cápsulas ou tubos selados — e nunca polir uma peça escurecida.

O guia sobre guardar e segurar metais preciosos desenvolve o assunto.

Comprar: identificação, dinheiro vivo e os limites

Portugal tem limites ao pagamento em numerário que a Alemanha não conhece. O artigo 63.º-E da Lei Geral Tributária proíbe pagar ou receber em numerário montantes iguais ou superiores a 3 000 euros em transações de qualquer natureza — a expressão abrange negócios entre particulares. Para não residentes sem qualidade de empresário o limite sobe para 10 000 euros, há regra de agregação contra o fracionamento e a infração é punida com coima, como resume a entrada sobre limites ao dinheiro na compra de metais. A regra que proíbe o pagamento em numerário acima de 250 euros, essa, vale para transações de ouro e não para a prata.

Os negociantes são ainda entidades obrigadas em matéria de branqueamento de capitais: a lei enumera os «comerciantes que transacionem bens de elevado valor unitário, nomeadamente ouro e outros metais preciosos». O gatilho é a forma de pagamento e não o valor da mercadoria — identificação a partir de 3 000 euros em numerário e de 10 000 euros por outro meio, incluindo operações ligadas. Os 15 000 euros que às vezes se citam são o limiar geral das transações ocasionais, não o do setor; a supervisão cabe à ASAE e as suspeitas seguem para a unidade de informação financeira da Polícia Judiciária, como descreve a entrada sobre legislação de branqueamento de capitais. E vender prata usada a um profissional está longe de ser anónimo: o comerciante tem de manter registo diário com descrição, peso, toque e fotografia a cores da peça, cópia do documento de identificação e do NIF do vendedor, conservar tudo durante cinco anos, comunicar semanalmente à Polícia Judiciária e aguardar vinte dias antes de alterar ou revender a peça.

A prata na fronteira não é «dinheiro líquido»

O regime de controlo do dinheiro líquido resulta do Regulamento (UE) 2018/1672 e foi executado internamente pelo Decreto-Lei n.º 82/2024. A obrigação de declarar existe a partir de 10 000 euros e apenas na fronteira externa da União, à entrada e à saída; nas deslocações entre Estados-Membros há somente um dever de prestar informação quando a Autoridade Tributária a solicitar. A coima associada é elevada e o valor pode ser retido durante trinta dias, prorrogáveis até noventa.

O ponto decisivo está na definição. «Dinheiro líquido» abrange numerário, títulos ao portador, cartões pré-pagos e mercadorias utilizadas como reservas de valor de elevada liquidez — e o anexo do regulamento enumera nessa última categoria apenas o ouro: moedas com teor de pelo menos 90 % e barras, pepitas ou agregados com pelo menos 99,5 %.

Importante

A prata, a platina e o paládio não constam da lista. Quem transpõe de um texto alemão a frase «os metais preciosos são de declaração obrigatória» aplica-a a metais que a norma não abrange.

Isto não dispensa nada do resto: as regras aduaneiras continuam a valer e uma quantidade relevante de metal sem documento de compra é um problema de prova, não de declaração.

Comprar à distância, garantia e a proteção que existe

Não há direito de livre resolução na compra em linha de metal ao preço do dia: o artigo 17.º n.º 1 alínea b) do Decreto-Lei n.º 24/2014 exclui os contratos cujo preço dependa de flutuações do mercado financeiro que o fornecedor não possa controlar. Duas precisões: a norma começa por «Salvo acordo das partes em contrário», e o vendedor pode conceder o direito; e só vale para venda a preço variável, pelo que uma peça a preço fixo mantém o prazo geral de catorze dias. A garantia, essa, é generosa — três anos de conformidade em bens móveis comprados a profissionais, com inversão do ónus da prova durante os dois primeiros; comprar a um particular não dá nada disto, aplicando-se o Código Civil.

O regime da ourivesaria impõe ainda deveres verificáveis à vista desarmada: peças contrastadas, lupa e balança aferida, separação entre novo e usado, etiqueta com metal, toque e peso, livro de reclamações. Não existe, porém, registo público pesquisável de negociantes — a verificação faz-se pelo número do título de atividade.

Cuidado

Há uma ausência que pesa mais do que todas as presenças: a prata física não é instrumento financeiro, não há supervisão da CMVM nem sistema de indemnização aos investidores. Casos julgados existem, do vendedor de barras douradas apanhado na Madeira em 2013 ao esquema em pirâmide julgado em Aveiro em 2022.

Um ETF de prata é valor mobiliário e não levanta a questão do IVA — mas o que se detém é um direito contra um emitente, um risco diferente e não um risco menor.

Vender: o IRS não incide, com três ressalvas

A venda de prata física por um particular não gera IRS em Portugal. O artigo 10.º n.º 1 do Código do IRS enumera de forma fechada os factos que originam mais-valias — imóveis, valores mobiliários, propriedade intelectual, derivados, cessão de créditos e, desde 2023, criptoativos — e os bens móveis corpóreos não constam da lista. Não é uma isenção, é a ausência de norma de incidência: não havendo norma, não há prazo de detenção nem limite de ganho a respeitar, e ao contrário da Alemanha a pergunta nem chega a colocar-se. Reforçam a leitura o artigo 11.º n.º 4 da Lei Geral Tributária, que proíbe a integração analógica das normas de incidência, e o facto de os criptoativos terem tido de ser acrescentados por lei. Mas não há jurisprudência portuguesa nem informação vinculativa da Autoridade Tributária sobre metais preciosos: a leitura resulta do texto da lei, não de uma confirmação oficial.

As três ressalvas

Três ressalvas acompanham sempre a afirmação. A primeira é a categoria B: comprar para revender com intuito lucrativo é atividade comercial, e mesmo uma operação avulsa pode ser qualificada como ato isolado de natureza comercial, caso em que releva o valor de realização e não o ganho — não existe limiar publicado, nem montante, nem número de peças, nem frequência. A segunda é a avaliação indireta: um acréscimo de património superior a 100 000 euros, verificado em simultâneo com falta de declaração ou com divergência não justificada face aos rendimentos declarados, permite recorrer ao artigo 87.º n.º 1 alínea f) da Lei Geral Tributária, cabendo ao contribuinte a prova da origem dos valores; guardar as faturas é a consequência prática, bem para lá do prazo de caducidade de quatro anos. A terceira é a distinção entre metal e papel: ETC, ETF, fundos, certificados, derivados, ações de mineiras e contas de metal não alocadas são valores mobiliários ou créditos, tributados à taxa autónoma de 28 % com opção pelo englobamento. O ouro-papel e a prata-papel seguem essa regra; o metal na mão não é sequer tributável, como detalha o guia sobre impostos sobre metais preciosos.

Os erros que saem mais caros em Portugal

Vender é comprar ao contrário, e três hábitos decidem o resultado:

  • Pedir mais do que um preço, porque o spread de recompra varia muito mais na prata do que no ouro.
  • Vender primeiro o material líquido, isto é, as moedas reconhecidas.
  • Guardar a documentação, porque tubos originais, cápsulas e certificados encurtam a verificação e, com ela, a discussão do preço.

Os erros especificamente portugueses

Os erros que vale a pena nomear são os especificamente portugueses.

  • Contar com o IVA de volta. Um particular não o deduz nem o recupera: é gasto no dia da compra.
  • Presumir que a prata segue o ouro. A isenção foi escrita para o ouro, e ler as regras do ouro é a suposição mais cara deste mercado.
  • Trazer da Alemanha a certeza do regime de margem. Aqui depende do caminho de aquisição, e o produto novo raramente o aproveita.
  • Esperar taxa reduzida na importação de moedas de coleção. Não existe: a redução é para objetos de arte.
  • Ignorar a diferença regional. Sete pontos percentuais entre os Açores e o Continente são mais do que muitas margens comerciais.
  • Comprar peças demasiado pequenas. O prémio por grama é o pior de todos e o imposto incide também sobre o prémio.
  • Confundir metal com papel. O metal físico não é tributável; o produto cotado é tributado a 28 %.

Em resumo: em Portugal é o imposto, e não a cotação diária, que decide a maior parte do resultado de quem compra prata; o regime de margem existe mas quase nunca chega ao produto novo; e o volume é uma restrição a sério. Este texto descreve o quadro legal e de mercado à data indicada, com as fontes enumeradas no fim — não é aconselhamento fiscal nem de investimento, não avalia produtos concretos e não substitui a análise da sua situação por um profissional habilitado. Os termos usados acima estão definidos no léxico.

Calculadoras para este tema

Perguntas frequentes

Porque é que a prata paga IVA em Portugal e o ouro não?

Porque a isenção foi escrita só para o ouro. O Decreto-Lei n.º 362/99 é um diploma autónomo, fora do Código do IVA, e isenta o ouro para investimento, definido por critérios de toque, ano de cunhagem, curso legal e relação do preço com o valor do metal. Não existe diploma equivalente para a prata, a platina ou o paládio: os três suportam a taxa normal, 23 % no Continente, 22 % na Madeira e 16 % nos Açores.

O regime de tributação pela margem aplica-se às moedas de prata?

Pode aplicar-se, mas depende do caminho de aquisição e não do produto. O artigo 2.º alínea a) do Decreto-Lei n.º 199/96 exclui os metais preciosos da noção de bens em segunda mão, ressalvando expressamente as «moedas ou artefactos» — as moedas são elegíveis. Mas o artigo 3.º n.º 1 exige que o revendedor tenha adquirido a peça a um particular, a um sujeito passivo isento ou a outro revendedor em regime de margem: uma moeda acabada de cunhar, comprada ao grossista, suporta a taxa normal sobre o preço total.

Posso evitar o IVA comprando prata fora de Portugal?

Não. A prata que entra no território aduaneiro da União é tributada na importação: a fronteira muda o momento da cobrança e acrescenta transporte, seguro e despacho. Também não há atalho pelas moedas de coleção, porque o artigo 15.º alínea a) do Decreto-Lei n.º 199/96 reserva a taxa reduzida na importação aos «objectos de arte», ao contrário da Alemanha, onde as moedas de coleção entram a 7 %.

Quanto tem a prata de subir para eu ficar em zero?

Mais do que a maioria supõe, porque se somam três custos: o IVA, que um particular não recupera nem deduz; o prémio sobre o valor do metal, proporcionalmente maior na prata do que no ouro; e a diferença para o preço a que o negociante recompra. Nenhum dos três volta na saída. Não indicamos prémios habituais em Portugal porque não há fonte pública que os fixe — simule com a calculadora de preço de compra antes de comprar.

Que toques de prata são legais em Portugal?

A lei portuguesa reconhece para a prata os toques 999, 925, 835, 830 e 800 milésimos. O contraste é uma função pública: as Contrastarias de Lisboa e do Porto, exploradas pela INCM, aplicam as punções legais e a fiscalização cabe à ASAE — uma diferença de fundo face à Alemanha, onde a marca do fabricante é voluntária. As moedas com curso legal ou antigas estão fora do regime jurídico da ourivesaria; as barras estão abrangidas.

Posso pagar a prata em dinheiro?

Até 3 000 euros. O artigo 63.º-E da Lei Geral Tributária proíbe pagar ou receber em numerário montantes iguais ou superiores a esse valor em transações de qualquer natureza, incluindo entre particulares; para não residentes sem qualidade de empresário o limite é de 10 000 euros e há regra de agregação contra o fracionamento. O limite de 250 euros que se lê com frequência vale para o ouro, não para a prata. A partir de 3 000 euros em numerário, o negociante tem ainda o dever de identificar o cliente.

Tenho de declarar a prata que levo comigo numa viagem?

A obrigação de declaração aplica-se ao «dinheiro líquido» a partir de 10 000 euros e apenas na fronteira externa da União; dentro da União existe só um dever de informação a pedido da Autoridade Tributária. E o ponto decisivo para quem lê textos alemães: o anexo do regulamento europeu enumera, entre as mercadorias de elevada liquidez, apenas o ouro — moedas com pelo menos 90 % de teor e barras, pepitas ou agregados com pelo menos 99,5 %. A prata, a platina e o paládio não constam.

Pago IRS quando vendo prata física com lucro?

Não. O artigo 10.º n.º 1 do Código do IRS enumera de forma fechada os factos que geram mais-valias e os bens móveis corpóreos não constam da lista: não é uma isenção, é a ausência de norma de incidência, pelo que não há prazo de detenção nem limite de ganho a cumprir. Três ressalvas: a compra e venda com intuito lucrativo cai na categoria B, onde releva o valor de realização; um acréscimo de património acima de 100 000 euros incompatível com os rendimentos declarados pode levar a avaliação indireta; e os produtos de papel são tributados a 28 %.

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Escrito e mantido por Markus Markert. Conteúdo editorial — não constitui aconselhamento de investimento, recomendação de compra nem previsão de preços. Os valores são verificados face a fontes oficiais e atualizados regularmente.

Voltar aos guias Última atualização: 11 de agosto de 2026

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