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Entender o preço do ouro em Portugal

Para quem lê a cotação a partir de Portugal, o preço do ouro é um número que chega de fora. Não há nenhuma refinaria portuguesa na Good Delivery List da LBMA, a Euronext Lisbon não negoceia contratos sobre metais preciosos e desde 1992 não se extrai ouro em território nacional. O mercado que produz o número está inteiramente noutro sítio.

E, no entanto, poucos países europeus têm uma relação tão material com este metal. O Banco de Portugal guarda 382,7 toneladas de ouro, um valor inalterado desde 2006 que coloca o país no quinto lugar mundial em gramas por habitante.

Este guia percorre o caminho de fora para dentro: primeiro o mercado grossista de Londres e Nova Iorque, depois a dupla conversão que transforma dólares por onça em euros por grama, e por fim o balcão da ourivesaria, onde a cotação afixada e o preço praticado deixam de ser a mesma coisa. Não há aqui nenhuma previsão nem qualquer recomendação. O objetivo é conseguir ler uma cotação e saber o que ela diz e o que não diz.

Por Markus Markert · Última atualização: 11 de agosto de 2026

Índice
  1. Porque é que o preço do ouro se forma longe de Lisboa
  2. O que o Banco de Portugal publica — e o que não fixa
  3. O preço à vista e como nasce
  4. O fixing da LBMA, duas vezes por dia
  5. Dólares por onça, euros por grama
  6. A COMEX, os futuros e o ouro-papel
  7. De onde vem o metal que chega ao mercado
  8. Quem compra ouro e por que razão
  9. O stock acumulado pesa mais do que a produção anual
  10. As grandes forças por detrás da tendência
  11. As reservas de ouro do Banco de Portugal
  12. O ouro pago pelo volfrâmio: estimativas em disputa
  13. Da cotação grossista à moeda que fica na mão
  14. A cotação afixada na ourivesaria
  15. Onça troy, gramas e peso fino
  16. Um mercado que atravessa os fusos horários
  17. Recordes nominais e recordes reais
  18. Sazonalidade e padrões de calendário
  19. Ler um gráfico sem se enganar
  20. Para que serve entender a mecânica
Competente. Independente. Sério.

Não vendemos ouro nem recomendamos negociantes — apenas conhecimento verificado a partir de fontes oficiais, ligado a preços em direto. Sem recomendações de compra, sem previsões.

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Tema
Gráfico do Preço do Ouro
Gráfico de Preços

O gráfico mostra a evolução do preço do Ouro ao longo do período selecionado. Passe o rato sobre o gráfico para ver o preço exato num dia específico.

Selecione o período acima (Hoje a Máx.). Pode ampliar uma área com o rato. Os cartões de estatísticas abaixo mostram máximo, mínimo e variação para o período selecionado.

Dica: No período "Hoje", pode ver dados intradiários com resolução ao minuto.

+0,60% 3.966,50
EUR
Atual
(24.08.26)
3.966,50 €
Dia Anterior
(21.08.26)
3.942,75 €
Variação
+23,75 € +0,60%
Diário Máximo
(24.08.26)
3.970,00 €
Diário Mínimo
(24.08.26)
3.942,29 €
Máximo Histórico
(29.01.26)
4.616,60 €
Preço do Ouro Movimento de hoje: Atual 3.966,50 € (24.08.26), Máximo 3.970,00 € (24.08.26), Mínimo 3.942,29 € (24.08.26), Variação +0,60 %.

Porque é que o preço do ouro se forma longe de Lisboa

Pergunte-se onde é que o ouro tem preço e a resposta honesta é que isso acontece em ecrãs e ao telefone, sem morada nenhuma. Pergunte-se onde estão o regulamento, a acreditação das refinarias e boa parte do metal, e a resposta já é concreta: em Londres, com Nova Iorque a dar o contributo decisivo para a descoberta do preço ao minuto.

Para quem lê a cotação a partir de Portugal convém arrumar uma coisa logo no início. Não existe nenhuma refinaria portuguesa na Good Delivery List da LBMA — nem na lista do ouro, nem na da prata, nem sequer nas listas de refinarias entretanto retiradas. A Euronext Lisbon, supervisionada pela CMVM, não admite contratos sobre metais preciosos: os derivados de mercadorias aí negociados são agrícolas, de eletricidade e de frete. E desde 1992 não se extrai ouro em território nacional.

O que existe em Portugal é a camada de baixo: importação, imposto, punção, ágio, distribuição e o preço praticado ao balcão. Nada disso forma a cotação; tudo isso reage a ela. O valor em tempo real está na página do preço do ouro.

O que o Banco de Portugal publica — e o que não fixa

O Banco de Portugal não estabelece um preço do ouro. Reproduz a cotação da LBMA, convertida à taxa de câmbio de referência do Banco Central Europeu e apresentada em euros por grama.

Importante

É divulgação, não fixação: não há comissão, não há decisão administrativa e nenhuma autoridade nacional homologa o número.

As três transformações entre Londres e Lisboa

Entre o leilão de Londres e o valor lido em Portugal ocorrem três transformações, e cada uma introduz diferenças que por vezes se atribuem erradamente ao metal.

Transformação O que muda pelo caminho
Unidade O mercado grossista trabalha em onça troy e a divulgação nacional em gramas
Moeda De dólares para euros
Momento O fixing e a taxa de câmbio de referência não são apurados exatamente à mesma hora

Daí decorre a consequência prática mais importante deste guia para um leitor português: a cotação que lhe interessa depende de duas variáveis independentes, o preço do metal e o câmbio. As taxas atuais estão na página de câmbios.

O preço à vista e como nasce

O preço à vista responde a uma pergunta estreita: quanto custa neste momento uma onça troy de ouro fino, para liquidação nos dias imediatos, com o metal em Londres. Move-se continuamente porque não é mais do que o estado atual da negociação bilateral entre bancos, corretores, refinarias e grandes casas de negociação. Não há livro de ofertas centralizado nem contraparte central, apenas normas documentadas e muito hábito.

Loco London: a cláusula tácita de toda a cotação

Toda a cotação grossista traz uma cláusula tácita: loco London. Significa que o preço é para metal guardado no sistema de cofres londrino, entregável aí, na forma e no toque que o mercado reconhece.

Nota

Metal que esteja noutro sítio vale ligeiramente menos, porque trazê-lo para dentro da cadeia aceite custa transporte, seguro e muitas vezes novo ensaio. Os diferenciais entre praças são, por isso, um indicador de logística antes de serem um indicador de humor.

A liquidação segue a mesma lógica e quase nunca envolve mover metal: são lançamentos entre contas não alocadas dos membros compensadores, ou seja, um direito sobre uma quantidade de ouro fino e não a propriedade de barras concretas. Quem quer barras numeradas em seu nome recorre à modalidade alocada, que custa mais e se comporta de forma muito diferente se o depositário falhar. Sobre esta distinção não foi possível localizar qualquer posição publicada por uma autoridade portuguesa, nem num sentido nem no outro.

O fixing da LBMA, duas vezes por dia

Um número em movimento permanente não serve para um contrato. Quem avalia um fundo, liquida uma cobertura mineira ou fecha um balanço precisa de um valor único para o qual ambas as partes possam apontar depois. É essa a função do fixing da LBMA, publicado duas vezes em cada dia útil, às 10:30 e às 15:00 GMT, em dólares por onça troy.

Desde 2015 o processo é um leilão eletrónico administrado pela ICE Benchmark Administration e não uma chamada telefónica entre meia dúzia de casas. É proposto um preço de abertura, os participantes diretos introduzem volumes como compradores ou vendedores e o preço ajusta-se em rondas sucessivas até o desequilíbrio cair dentro de uma tolerância publicada. O resultado é um preço de fecho produzido por ordens reais e reconstituível a partir do registo do leilão.

Dois pormenores interessam ao leitor português. A diferença entre fixing e spot é de natureza e não de exatidão: um é cotação corrente, o outro é uma fotografia tirada num instante definido. E as horas são as de Londres — o continente e a Madeira partilham esse fuso, pelo que 10:30 GMT é mesmo 10:30 em Lisboa; nos Açores é uma hora antes.

Dólares por onça, euros por grama

É aqui que a leitura portuguesa da cotação se separa da anglo-saxónica. O ouro é cotado em dólares por onça troy; quem compra em Portugal paga em euros e quase sempre por grama. Entre um número e o outro estão duas conversões, e só uma delas tem que ver com o metal.

Um exemplo torna a mecânica evidente, e é aritmética, não previsão. Suponha-se que numa semana o preço em dólares desce 2 % enquanto o euro enfraquece 3 % face ao dólar: o metal desvalorizou, mas quem o detém em euros está em terreno positivo. Inverta-se o movimento cambial e uma subida respeitável em dólares chega a uma carteira portuguesa reduzida a nada. Ao longo de anos isto não é pormenor nenhum, é uma segunda fonte de variação tão real como a primeira.

Depois há a unidade. Uma onça troy equivale a 31,10 gramas — 31,1035 com precisão —, pelo que basta dividir a cotação por esse valor para obter o preço por grama: a imprensa financeira fala em euros por onça, a montra da ourivesaria em euros por grama, e é o mesmo metal a duas escalas. Qualquer série anterior a 2002 está em escudos, à taxa fixa e irrevogável de 1 euro = 200,482 escudos, com notas e moedas em euros a circular desde 1 de janeiro de 2002. O conversor de unidades trata do peso e da moeda no mesmo passo.

A COMEX, os futuros e o ouro-papel

O segundo motor da formação do preço é a COMEX, em Nova Iorque. O que aí muda de mãos não é metal, mas contratos normalizados para entregar uma quantidade definida numa data futura: os produtores cobrem produção, os industriais fixam custos, os especuladores tomam posição sem qualquer interesse em receber barras, e a maioria das posições fecha antes do vencimento.

Como se podem escrever muito mais contratos do que existe metal disponível, esta camada é frequentemente designada por ouro-papel. A expressão costuma ser usada como acusação, mas um mercado de derivados cujo valor nocional excede o do subjacente é a condição normal da negociação de mercadorias. Londres e Nova Iorque estão soldadas por arbitragem: quando o preço a prazo se afasta do preço à vista mais do que o financiamento e a armazenagem justificam, a diferença fecha-se em segundos. A relação tem dois nomes — contango, quando o prazo está acima do imediato, e backwardation, quando está abaixo por escassez de metal disponível.

Para um residente em Portugal a distinção tem uma consequência fiscal que não deve ser confundida com a mecânica do preço. O artigo 10.º n.º 1 do Código do IRS enumera de forma fechada os factos que geram mais-valias, e as coisas móveis corpóreas não constam dessa lista — ao contrário da Alemanha, onde o ganho na venda privada é tributável e só fica isento após um ano de detenção. Já os produtos que replicam o ouro sem o entregar, como ETC, fundos, certificados, derivados, ações mineiras e contas de metal não alocadas, são valores mobiliários ou créditos sujeitos à taxa autónoma de 28 %, ou de 35 % quando a contraparte está em jurisdição constante da lista nacional, com opção pelo englobamento.

Três ressalvas

  • Categoria B. Quem compra com intenção de revender pode cair na categoria B, onde é tributado o valor de realização e não o ganho.
  • Avaliação indireta. O artigo 87.º n.º 1 alínea f) da LGT permite avaliar indiretamente acréscimos de património superiores a 100.000 euros que coexistam com falta de declaração ou divergência não justificada, cabendo a prova ao contribuinte.
  • Terreno não firmado. Não existe até hoje jurisprudência nem informação vinculativa especificamente sobre metais preciosos.

Dica

Guarde os comprovativos de compra indefinidamente: é sobre eles que assenta a prova da origem do património.

O tema está desenvolvido no guia dos impostos.

De onde vem o metal que chega ao mercado

A oferta é a metade aborrecida da equação, e é precisamente aí que está o interesse: o metal novo chega por duas vias e nenhuma responde depressa ao preço. A produção mineira entrega a maior parte, mas um depósito demora quase uma década a passar da descoberta à primeira fundição e, uma vez em marcha, a produção é governada pelo teor do minério e pela capacidade da instalação. As minas reagem a preços altos sobretudo processando teores mais baixos, o que aumenta ao mesmo tempo a tonelagem e o custo. A parte flexível é a reciclagem — joalharia usada, ligas dentárias, resíduos eletrónicos —, que sobe genuinamente com os preços mas cujos volumes são pequenos demais para travar um movimento prolongado.

Portugal ilustra bem os dois lados. Do lado mineiro saiu do mapa: a última exploração aurífera foi Jales, em Vila Pouca de Aguiar, que entre 1933 e 1992 produziu 23,5 toneladas de ouro e 81,1 toneladas de prata. Muito antes, os romanos exploraram Tresminas, três cortas a céu aberto de que a maior tem cerca de 500 metros de comprimento e 80 a 100 de profundidade, com uma estimativa de dez milhões de toneladas de material removido, em atividade desde Augusto até ao final do século II. Prata ainda sai do país, mas como subproduto: Neves-Corvo, na Faixa Piritosa Ibérica, produziu 58.718 quilogramas de prata em 2025 a par do cobre, do zinco e do chumbo, enquanto Aljustrel suspendeu a produção de concentrados em setembro de 2023.

O contributo português para a oferta mundial é hoje, portanto, quase todo de reciclagem. O ciclo do «compro ouro» está documentado para os anos da crise financeira: os operadores registados passaram de 3.450 no final de 2008 para 5.055 em 2011, mais 46,5 %; as exportações de ouro subiram de 33,4 milhões de euros em 2008 para 519,4 milhões em 2011; e só em 2010 saíram do país 13 toneladas de ouro usado. Não há números comparáveis publicados para 2025 e 2026, pelo que estes valores servem de referência histórica e não de retrato do presente.

Quem compra ouro e por que razão

A procura não é uma coisa só. Quatro grupos compram ouro por motivos que mal se sobrepõem e reagem a uma subida do preço em sentidos opostos.

  • Joalharia. Tradicionalmente o maior uso em peso, muito concentrado na Ásia e o bloco mais sensível ao preço: quando a cotação salta, os volumes caem, o que faz da joalharia um travão às subidas e não um motor.
  • Investimento. Barras, moedas e produtos cotados. É o fator oscilante, dependente do estado de espírito, das taxas de juro reais e do custo de deter um ativo que não paga rendimento.
  • Bancos centrais. Compradores líquidos nos últimos anos, à medida que diversificam para fora de um conjunto estreito de moedas: atuação estratégica, largamente indiferente ao preço e por isso invulgarmente estável.
  • Indústria e tecnologia. Eletrónica, conectores, algumas aplicações médicas. Pouco em tonelagem, estável e praticamente insensível à cotação.

Portugal aparece do lado da transformação, e com peso. Gondomar concentra 42 % da produção nacional de joalharia, repartida por cerca de 445 empresas, e é, com a Póvoa de Lanhoso, um dos dois centros históricos da filigrana; em 2025 o setor da ourivesaria e relojoaria movimentou 1,3 mil milhões de euros, cerca de 400 milhões dos quais em exportações. Nada disto é ouro para investimento — a joalharia trabalha sobretudo a 800, 750, 585 e 375 milésimos —, e o equilíbrio entre oferta e procura lê-se melhor em toneladas de metal fino do que em faturação.

O stock acumulado pesa mais do que a produção anual

Na maioria das matérias-primas manda a produção anual: bombeie-se mais petróleo e o preço cede, porque o petróleo é consumido e o fluxo tem de encontrar comprador.

O ouro não é consumido. Praticamente todo o metal alguma vez extraído continua entre nós — em cofres, em alianças, soldado em placas de circuito — e qualquer parte dele pode, em princípio, voltar ao mercado. O stock acumulado à superfície é por isso muitíssimo maior do que aquilo que um ano de mineração lhe acrescenta: a produção anual representa apenas uma percentagem de um dígito baixo do que já existe.

Duas consequências decorrem daí. Choques de oferta como os que periodicamente convulsionam o petróleo ou o níquel não podem realmente acontecer aqui, porque uma greve, uma crise de licenciamento ou até uma expansão espetacular da produção mal se notam contra o acumulado. E o preço passa a ser determinado pela disposição de quem já detém metal para se desfazer dele: quando os detentores decidem guardar, o mercado aperta sem que uma tonelada de produção se altere. Uma série de preços regista, no fundo, preferências em mudança sobre um stock que quase não muda. Quanto ao que está guardado nas casas portuguesas não há estimativa fiável: não existe levantamento nacional e o World Gold Council não trata Portugal separadamente, agregando-o em «Other Europe».

As grandes forças por detrás da tendência

Acima do equilíbrio físico atuam algumas forças macroeconómicas que moldam o preço ao longo de meses e anos. Agem em simultâneo e puxam com frequência em sentidos contrários.

Força Tendência observada no passado Razão
Taxa de juro real Taxas baixas ou negativas favorecem O ouro não paga cupão, pelo que dinheiro barato reduz o custo de o deter.
Dólar dos EUA Um dólar mais fraco favorece A cotação é em dólares, logo um dólar fraco torna o metal mais barato fora dos EUA.
Inflação Apenas em horizontes longos Reserva de poder de compra ao longo de décadas, pouco fiável ao longo de trimestres.
Crises e geopolítica Muitas vezes favorável O capital procura um porto seguro quando a confiança cai.
Compras oficiais Favoráveis nos últimos anos As compras de bancos centrais situam-se acima da média de longo prazo.
Fundos cotados Amplificam nos dois sentidos Um ETF de ouro compra ou vende metal à medida que emite ou resgata unidades.

A taxa de juro real é habitualmente tratada como a variável isolada mais importante, porque mede exatamente o custo de oportunidade de deter um ativo que não rende. Mesmo essa relação é estatística e já se quebrou durante longos períodos.

Cada linha é uma tendência e não uma lei, e elas contradizem-se rotineiramente: a mesma crise que empurra compradores para o ouro pode empurrar outros para o dólar, o que trabalha contra o preço em dólares. Não existe, portanto, nenhuma regra do tipo «se acontecer X, então o ouro sobe». O estado de espírito do mercado é acompanhado na página de medo e ganância e a posição do ouro face à prata na página do rácio ouro-prata — leitura de contexto, não sinais de negociação.

As reservas de ouro do Banco de Portugal

É aqui que a história internacional do preço encontra o seu maior ponto de contacto com Portugal. O Banco de Portugal detém 382,7 toneladas de ouro, número que não se altera desde 2006. No final de 2025 essa reserva valia 45,14 mil milhões de euros e em janeiro de 2026 ultrapassou os 50 mil milhões, sem que uma única barra tivesse mudado de sítio — apenas porque a cotação subiu. É a melhor demonstração possível de que o preço não é uma abstração.

Em termos relativos o país está muito acima do que a sua dimensão sugeriria: cerca de 36,8 gramas por habitante, o quinto lugar mundial per capita. Espanha, com 282 toneladas para 48 milhões de habitantes, tem menos ouro em termos absolutos do que Portugal.

Onde está guardado

O metal está repartido por quatro locais.

Local de guarda Quantidade
Carregado Cerca de 173 toneladas, aproximadamente 45 % do total
Bank of England 186,4 toneladas
Banco de Pagamentos Internacionais 20 toneladas
Banque de France 3,7 toneladas

Uma trajetória acidentada

A trajetória histórica é acidentada. A reserva passou de 63 toneladas em 1931 para 865 toneladas em abril de 1974, sofreu reduções nas décadas seguintes, registou um máximo intercalar de 606,76 toneladas em 2002 e estabilizou no valor atual depois de o país ter vendido cerca de 242 toneladas entre 1998 e 2006, no quadro do acordo entre bancos centrais europeus assinado em setembro de 1999. Desde 2006 não houve mais vendas. Como o Banco de Portugal não compra nem vende há duas décadas, a variação do valor da reserva é integralmente um efeito de preço: a instituição participa no mercado do ouro como detentora, não como formadora da cotação.

O ouro pago pelo volfrâmio: estimativas em disputa

Parte da acumulação entre 1931 e 1974 coincide com um episódio que continua a ser estudado e sobre o qual os números publicados não coincidem. Durante a Segunda Guerra Mundial Portugal exportou volfrâmio para a Alemanha e foi pago maioritariamente em ouro. O mineral vinha sobretudo do interior beirão: a mina da Panasqueira está em laboração contínua desde 1894 e produz na ordem das 800 toneladas de concentrado de volfrâmio por ano, o que faz dela a ponte física entre esta história e a economia mineira portuguesa de hoje.

As quantidades são o ponto delicado. Circulam valores muito diferentes — 44, 123,8, 124 e 228 toneladas — e a razão de divergirem é que não medem a mesma coisa: uns referem-se ao fluxo líquido que ficou no país, outros ao volume total que transitou. A estimativa científica mais citada, apurada em trabalho académico assente também em documentação tratada pelo Yad Vashem, aponta para um valor líquido de pelo menos 123,8 toneladas. Devem ser lidos como estimativas concorrentes e não como uma cifra estabelecida.

O tratamento posterior está documentado. Em junho de 1953 foi celebrado um acordo com os Aliados que previu a devolução de 4 toneladas de ouro e o pagamento de 175 milhões de escudos. Foi depois constituída uma comissão de averiguação presidida por Mário Soares, cujo relatório foi apresentado a 26 de janeiro de 1999. Este guia limita-se a registar os factos e as estimativas disponíveis; a avaliação histórica do episódio não lhe compete.

Da cotação grossista à moeda que fica na mão

Consulte-se a cotação e a seguir a lista de preços de um operador, e a diferença é surpreendente da primeira vez. É o que acontece quando uma mercadoria grossista é transformada num pequeno objeto fabricado.

Um preço de retalho tem duas componentes. A primeira é o valor do material: a cotação multiplicada pelo teor de ouro fino da peça. A segunda é o prémio, que cobre a afinação, o fabrico do disco, a cunhagem, o acondicionamento, a distribuição, o seguro, o financiamento e a margem do vendedor. Esses custos ligam-se à peça e não ao ouro que ela contém, o que explica por que razão o prémio quase desaparece numa barra de um quilo e domina o preço de uma peça de um grama. Segue-se o spread: o valor a que o operador recompra é fixado separadamente daquele a que vende, e essa distância é o verdadeiro custo de entrar e sair.

A camada fiscal acrescenta uma diferença que se vê no preço e é específica de Portugal. O ouro para investimento está isento de IVA nos termos do Decreto-Lei n.º 362/99: barras com toque igual ou superior a 995 milésimos em pesos correntes de mercado, exceto peças de peso igual ou inferior a 1 grama, e moedas que cumpram quatro critérios cumulativos — toque igual ou superior a 900, cunhagem posterior a 1800, curso legal no país de origem e preço de venda que não exceda em mais de 80 % o valor do material. A prata, a platina e o paládio pagam a taxa normal: 23 % no continente, 22 % na Madeira e 16 % nos Açores. Duas peças com o mesmo valor de metal podem, por isso, ter preços de balcão muito diferentes. Compare-se sempre pelo teor de fino: a calculadora de ouro aplica o toque a um peso e a calculadora do valor de fusão isola o metal numa peça mista.

Em 2026 surgiu ainda uma novidade nacional que vale a pena registar como categoria de produto: a Moeda Emblemática de Portugal, emitida pela INCM ao abrigo da Portaria n.º 108/2026/1, de 9 de março, com edições anuais expressamente pensadas como alternativa à barra. As versões previstas têm 62,20 e 31,10 gramas com toque mínimo de 999,9 milésimos e valores faciais de 60 e 30 euros, sendo a menor execução comercializada de 1/4 de onça (7,78 gramas), com tiragem de 1.000 exemplares.

A cotação afixada na ourivesaria

Portugal tem uma regra que não existe em muitos países e que nasceu de um episódio concreto de transparência de preços. O artigo 63.º do RJOC obriga os operadores a manter disponível a cotação diária do ouro, da prata, da platina e do paládio, afixada de modo visível nos locais onde se compra a particulares. No comércio em linha exige-se além disso uma ligação para a cotação, a indicação de que a peça pode ser verificada nas Contrastarias e ainda o nome, o NIF e o número do título de exercício da atividade.

A origem da norma está documentada. Em 22 de outubro de 2013 a DECO PROTESTE — uma associação de consumidores, não uma autoridade pública — publicou um estudo que apurou perdas de 15 % a 25 % para quem vendia ouro usado e mostrou que o mesmo consumidor, no mesmo dia, recebeu propostas de 19,40 e de 27,34 euros por grama, uma amplitude de 42,9 %, quando a referência de mercado estava em 31,71 euros por grama. A reivindicação de uma obrigação de afixação feita nessa altura tornou-se lei em 2015, com o RJOC. A mesma associação recomenda a barra em detrimento de medalhas e de joalharia, precisamente porque na barra não há lugar a apreciação subjetiva.

Duas leituras práticas decorrem daqui, e não devem ser confundidas.

Cuidado

A cotação afixada é a referência internacional, não a proposta do estabelecimento: a distância entre uma e outra é a margem, e é legítimo perguntar por ela.

E a fiscalização existe — numa ação de âmbito nacional a ASAE inspecionou 138 estabelecimentos, detetou 17 infrações e apreendeu 15 balanças por falta de verificação metrológica, sendo que o RJOC exige lupa e balança verificada. Note-se, contudo, que não existe um registo público pesquisável de operadores: a única verificação ao alcance do consumidor é o número do título que o comerciante é obrigado a indicar. O procedimento de compra e de venda está detalhado no guia de compra de ouro.

Onça troy, gramas e peso fino

Os metais preciosos não se pesam como a mercearia. A unidade de negociação é a onça troy de 31,1035 gramas, sensivelmente mais pesada do que a onça avoirdupois de cerca de 28,35 gramas usada para tudo o resto.

Aviso

Confundir as duas onças introduz um erro de aproximadamente 10 %, o suficiente para inutilizar qualquer comparação.

O resto é aritmética: divida-se o preço da onça por 31,1035 para obter o preço por grama, multiplique-se por mil para o quilo, e note-se que uma barra de um quilo contém pouco mais de 32 onças troy.

O conceito que causa mais problemas é o peso fino. O peso bruto inclui as ligas acrescentadas para dar dureza, e o mercado só paga o ouro. O toque exprime-se em milésimos e Portugal tem aqui uma particularidade europeia: além dos toques legais de 999, 916, 750, 585 e 375, existe o 800, conhecido como «ouro português», que corresponde a 19,2 quilates e não tem equivalente noutros países europeus. Numa peça marcada a 800, oitenta por cento da massa é ouro e o resto não vale nada à fusão.

As moedas históricas portuguesas, todas a 916,6

A numismática nacional oferece o melhor exercício prático, porque as moedas de ouro portuguesas foram cunhadas de forma consistente a 916,6 milésimos, o mesmo toque de 22 quilates das grandes moedas bullion modernas.

Moeda Peso bruto Nota
Dobrão de 1725 53,78 g A maior das peças correntes
10.000 réis 17,6 g
6.400 réis, a «peça» 14,34 g Cerca de 13,14 g de ouro fino
5.000 réis 8,87 g
3.200 réis A «meia peça»
2.500 réis 4,48 g
1.000 réis 1,77 g

O contraste é um ato de autoridade

Quanto à verificação do toque, Portugal é caso à parte: a marca de toque é aposta pelas Contrastarias de Lisboa e do Porto, exploradas pela INCM e fiscalizadas pela ASAE, com a cabeça de veado para o ouro de 999, 916 e 800, a andorinha em voo para 750, 585 e 375, e a esfera armilar móvel para as barras — um sistema estatal, e não uma declaração voluntária do fabricante.

Um mercado que atravessa os fusos horários

O ouro negoceia quase ininterruptamente, cinco dias por semana, e a liderança do preço viaja com o sol. Sidney abre a semana, as mesas de Tóquio, Hong Kong, Xangai e Singapura levam-na pela noite fora, Londres assume durante a manhã europeia e a COMEX dá o tom assim que Nova Iorque acorda. Cada praça retoma a cotação onde a anterior a deixou, razão pela qual se pode adormecer com um número e encontrar outro ao pequeno-almoço sem que nenhuma ordem tenha passado por uma mesa europeia.

A liquidez está longe de ser uniforme ao longo dessas horas. Atinge o máximo quando Londres e Nova Iorque estão abertas ao mesmo tempo — a tarde portuguesa, a manhã americana —, e é nessa janela que se concentram o maior volume e os movimentos mais bruscos, até porque é aí que saem os indicadores económicos norte-americanos. Nas horas magras a mesma ordem empurra o preço mais longe, pelo que a volatilidade de curto prazo tem um ritmo diário que nada deve aos fundamentais.

Ao fim de semana o mercado está adormecido: a cotação fica parada desde o fecho de sexta-feira até a Ásia reabrir no domingo à noite, hora de Lisboa. Uma notícia que rebente no sábado só entra no preço na reabertura, daí as aberturas de segunda-feira que aparecem com um salto visível.

Recordes nominais e recordes reais

«Ouro em máximos históricos» é quase sempre uma afirmação sobre preços nominais, um recorde em dinheiro de hoje sem ajustamento pela inflação.

Aviso

Havendo perda persistente de poder de compra, a maioria dos ativos duradouros acaba por atingir um recorde nominal: o título diz tanto sobre a moeda como sobre o metal.

O número que interessa é o real, corrigido da inflação, porque é esse que traduz o que uma onça comprava de facto na altura. Medida assim, a história parece menos uma escadaria e mais uma sucessão de patamares separados por reavaliações violentas: ao pico do início da década de 1980 seguiu-se uma queda em termos reais que durou uma vida de trabalho, algo que nenhum gráfico nominal mostra, porque a linha nominal acaba por recuperar e a real não. Para o leitor português há um degrau adicional: qualquer valor anterior a 2002 está em escudos e tem de ser convertido a 200,482 antes de sequer se falar de inflação.

Portugal tem também o seu próprio exercício de humildade documentado. Entre 1998 e 2006 o país alienou cerca de 242 toneladas das suas reservas, num período em que vários bancos centrais europeus reduziram posições ao abrigo do mesmo acordo. Não se retira daqui qualquer juízo sobre a decisão, apenas a observação de que identificar um topo ou um fundo enquanto se está dentro dele é extraordinariamente difícil, para instituições como para particulares. Os dados diários que suportam qualquer série longa estão na página dos preços históricos.

Sazonalidade e padrões de calendário

Ao longo de muitos anos o preço do ouro mostra tendências sazonais reconhecíveis. A procura tem sido historicamente mais firme em torno da época de casamentos indiana e do Diwali, no outono, e outra vez na passagem de ano, quando as compras que antecedem o Ano Novo chinês se sobrepõem ao reequilíbrio de carteiras. O verão do hemisfério norte tende a ser mais calmo.

São médias estatísticas extraídas do passado, não garantias e muito menos sinais de negociação. A variação escondida lá dentro é enorme: num ano concreto o mês historicamente forte pode ser o pior dos doze, e o efeito inteiro é pequeno ao lado do que um anúncio de um banco central faz numa tarde. O seu valor verdadeiro é interpretativo, pois lembra que a cotação não é ruído mas o resultado de compras reais feitas por grupos com calendários próprios. O registo mês a mês, calculado a partir da série de preços e não do folclore, está na página da sazonalidade.

Ler um gráfico sem se enganar

Não há neste domínio objeto tão observado e tão mal compreendido como um gráfico de preços. Quatro perguntas evitam a maior parte dos erros.

Que preço é este?

Spot, fixing e futuros são três séries diferentes, e nenhuma delas coincide com um contrato de futuros contínuo que vai rolando entre vencimentos. E, sobretudo, um gráfico em euros não é o mesmo que um gráfico em dólares — para um leitor português esta é a distinção mais consequente das quatro.

Onde começa a série?

Uma série que arranca num mínimo local parece sempre impressionante e uma que arranca num pico parece sempre desastrosa. A data inicial faz muitas vezes mais trabalho do que os dados.

Escala linear ou logarítmica?

Numa escala linear, uma subida de duzentas unidades ocupa o mesmo espaço no topo e na base do intervalo, embora a variação percentual seja completamente diferente. Para séries de várias décadas, a escala logarítmica é a opção honesta.

O que são os troços planos?

Um trecho horizontal tanto pode ser um mercado calmo como um mercado fechado, e séries intradiárias de uma só praça conseguem transformar a passagem de sessão num salto que nunca existiu. A comparação óbvia é com o preço da prata, que partilha com o ouro os motores monetários mas carrega uma exposição industrial muito mais pesada, divergência dissecada no guia do preço da prata; já o guia da platina e do paládio trata de metais em que a indústria manda ainda mais.

Para que serve entender a mecânica

Perceber como se forma o preço do ouro não torna ninguém capaz de o prever. Todas as forças descritas aqui atuam ao mesmo tempo, e cada uma já explicou o mercado com elegância até ao dia em que deixou de o fazer. Quando isso acontece não falhou a análise: é apenas assim que se comporta um mercado com milhões de participantes.

O que a mecânica dá é uma defesa contra o raciocínio errado. Passa a ser possível separar um movimento do spot de uma variação do prémio, um movimento do metal de um movimento do câmbio, um recorde nominal de um recorde real, e a referência afixada na montra da proposta concreta que o balcão faz. O ouro não gera rendimento, pelo que se detém por diversificação e não para render mais do que o resto de uma carteira.

Em resumo: o que é cotado é um número grossista — uma onça troy de ouro fino, entregue em Londres, denominada em dólares dos Estados Unidos. A distância entre esse número e o talão de uma ourivesaria portuguesa é o prémio; a distância entre o dólar e o euro é o câmbio; e a distância entre gramas e onças é uma divisão por 31,1035.

Convém dizer com clareza o que este guia não faz. Não contém qualquer previsão de preço nem recomendação de compra ou de venda, não substitui aconselhamento fiscal ou jurídico e não avalia operadores. As regras fiscais e de IVA são aqui referidas apenas na medida em que se refletem no preço, ficando desenvolvidas no guia dos impostos; a guarda física e o seguro são tratados no guia respetivo. O vocabulário que ficou por explicar está no glossário.

Calculadoras para este tema

Perguntas frequentes

Quem fixa o preço do ouro em Portugal?

Ninguém em Portugal. O Banco de Portugal não estabelece uma cotação própria: reproduz a cotação da LBMA, convertida à taxa de câmbio de referência do Banco Central Europeu e apresentada em euros por grama. A formação do preço acontece no mercado grossista internacional, sobretudo entre Londres e Nova Iorque, e nenhuma autoridade nacional aprova ou homologa o número.

A que horas é publicado o fixing da LBMA?

Duas vezes em cada dia útil, às 10:30 e às 15:00 GMT, em dólares dos Estados Unidos por onça troy. O continente e a Madeira partilham o fuso horário de Londres, pelo que os dois momentos coincidem com a hora local; nos Açores é uma hora antes. Os valores em euros divulgados ao lado são conversões do resultado em dólares, não leilões autónomos.

Porque é que o ouro é cotado em dólares se eu pago em euros?

Porque a convenção do mercado grossista internacional é o dólar por onça troy. Qualquer valor em euros é o produto de duas variáveis independentes: o preço do metal e a taxa de câmbio. Se o preço em dólares descer e o euro enfraquecer mais do que isso, o preço em euros ainda assim sobe — e o contrário acontece com a mesma frequência. O câmbio é aqui um fator de retorno por direito próprio.

Porque é que a ourivesaria tem de afixar a cotação do dia?

É uma obrigação do RJOC. O artigo 63.º impõe aos operadores que mantenham disponível a cotação diária do ouro, da prata, da platina e do paládio, afixada de forma visível nos locais de compra a particulares. A regra entrou na lei em 2015, na sequência de uma reivindicação apresentada em 2013 pela DECO PROTESTE, uma associação de consumidores e não uma autoridade pública. Atenção: a cotação afixada é a referência internacional, não a proposta de compra do estabelecimento.

Existe alguma refinaria portuguesa na lista Good Delivery da LBMA?

Não. Portugal não tem refinarias acreditadas para o ouro nem para a prata, e também não figura nas listas de refinarias entretanto retiradas. Do mesmo modo, a Euronext Lisbon não negoceia contratos sobre metais preciosos: os derivados de mercadorias aí admitidos são agrícolas, de eletricidade e de frete.

Quanto ouro tem o Banco de Portugal?

382,7 toneladas, um valor inalterado desde 2006. No final de 2025 correspondiam a 45,14 mil milhões de euros e em janeiro de 2026 ultrapassaram os 50 mil milhões. Em gramas por habitante, cerca de 36,8, Portugal ocupa o quinto lugar mundial. Aproximadamente 45 % do metal está no Carregado, 186,4 toneladas no Bank of England, 20 toneladas no Banco de Pagamentos Internacionais e 3,7 toneladas no Banque de France.

Ainda se extrai ouro em Portugal?

Não desde 1992, quando encerrou a mina de Jales, em Vila Pouca de Aguiar, que entre 1933 e 1992 produziu ao todo 23,5 toneladas de ouro e 81,1 toneladas de prata. Prata continua a sair do país, mas como subproduto: Neves-Corvo, na Faixa Piritosa Ibérica, produziu 58.718 quilogramas de prata em 2025 a par do cobre, do zinco e do chumbo.

Porque é que uma moeda custa mais do que o ouro que contém?

Porque está a comprar um objeto fabricado e não metal a granel. A cotação cobre material refinado em grandes lotes; uma moeda acrescenta o disco, a cunhagem, o controlo de qualidade, o acondicionamento, a distribuição, o seguro e a margem do vendedor, custos que não diminuem com o teor de ouro. A isso junta-se a diferença entre o preço a que o operador vende e aquele a que recompra. Na prata, na platina e no paládio acresce ainda o IVA à taxa normal.

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Escrito e mantido por Markus Markert. Conteúdo editorial — não constitui aconselhamento de investimento, recomendação de compra nem previsão de preços. Os valores são verificados face a fontes oficiais e atualizados regularmente.

Voltar aos guias Última atualização: 11 de agosto de 2026

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