Calculadora de Prémio — Quanto Está a Pagar Acima do Metal
Escolha um produto e indique o preço pedido — o prémio aparece de imediato.
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Guia: perceber o prémio
Fórmula e exemplo prático
O prémio calcula-se em dois passos:
Valor do metal = peso fino (g) × preço spot por grama
Prémio % = (preço pedido − valor do metal) ÷ valor do metal × 100
Exemplo à cotação atual de Ouro: uma moeda de 1 oz contém 31,1035 g de metal fino. Ao spot atual de 121,58 €/g, o valor do metal é de 3.781,63 €. Se a moeda for oferecida por 3.951,81 €, isso corresponde a 170,18 € de prémio — cerca de 4,5 %. A calculadora acima refaz esta conta por si com a cotação em direto.
O prémio por fracionamento
A regra essencial: quanto menor a unidade, maior o prémio em percentagem. Cunhar e distribuir custa aproximadamente o mesmo por peça, pelo que, repartido por menos metal, o acréscimo pesa muito mais. Faixas habituais para produtos de ouro novos (variáveis com o mercado, sem citar qualquer negociante):
| Fracionamento | Tipo | Prémio habitual |
|---|---|---|
| 1 kg / 500 g | Barra | aprox. 1–2 % |
| 100 g | Barra | aprox. 2–3 % |
| 1 oz | Barra | aprox. 3–4 % |
| 1 oz (Krugerrand, Maple Leaf …) | Moeda | aprox. 3–6 % |
| 20 g / 10 g | Barra | aprox. 5–8 % |
| 1/2 oz | Moeda | aprox. 6–9 % |
| 1/4 oz | Moeda | aprox. 8–12 % |
| 1/10 oz · 5 g | Moeda / barra | aprox. 10–18 % |
| 1 g · 1/20 oz | Barra / moeda | aprox. 15–25 % |
Estes números são uma orientação grosseira e mexem-se com a oferta, a procura e a casa da moeda; em períodos de tensão sobem visivelmente. Valem para o ouro, isento de IVA em Portugal — na prata, na platina e no paládio acresce ainda o IVA de 23 % no continente (22 % na Madeira, 16 % nos Açores), razão pela qual a calculadora estabelece para eles uma faixa própria.
Uma onça contra dez décimos
É aqui que a coisa se torna concreta: pelo mesmo dinheiro leva para casa quantidades de ouro diferentes, consoante o fracionamento. Entre um prémio de 4,5 % numa onça inteira e 12 % em dez peças de um décimo, a diferença traduz-se diretamente em ouro fino a menos:
1 × onça inteira · prémio ~4,5 %
De 10.000 € investidos, cerca de 9.570 € acabam no cofre sob a forma de ouro real — apenas uns 430 € são acréscimo.
10 × décimo de onça · prémio ~12 %
Aqui só cerca de 8.930 € correspondem a valor do metal — uns bons 1.070 € ficam pelo caminho no prémio.
São cerca de 640 € de diferença para a mesma despesa, apenas por causa do fracionamento. Em troca, os décimos dividem-se melhor e vendem-se aos poucos. Daí a regra de bom senso: comprar a maior unidade compatível com o seu orçamento e com os seus planos de venda, guardando algumas peças pequenas para ter folga.
Moeda ou barra?
A peso fino igual, o valor do metal é idêntico — tudo se joga no prémio e na facilidade de revenda. As barras costumam ter o prémio mais baixo porque são mais baratas de produzir. As moedas bullion custam um pouco mais, mas são reconhecidas em todo o mundo, verificam-se depressa e revendem-se com rapidez: qualquer casa identifica um Krugerrand ou uma Maple Leaf em segundos. No mercado português circula ainda o Sovereign e, entre as peças históricas nacionais, a moeda de 10.000 Réis de D. Luís I (16,26 g de ouro fino) — bonita de ter, mas com um prémio que segue a procura de colecionadores e não apenas a cotação do metal. Como ouro para investimento, moedas e barras estão igualmente isentas de IVA ao abrigo do regime especial do ouro para investimento previsto no CIVA.
Para pagar o metal ao preço mais baixo ganha a barra; para liquidez e divisibilidade ganha a moeda. Faça a pergunta pela saída: se conta vender aos poucos, o prémio de uma moeda de uma onça é o preço de uma revenda rápida e sem negociação. Se imobiliza uma quantia por dez anos, a barra de 100 g ou de 1 kg deixa-lhe mais metal pelo mesmo orçamento. Muitos investidores portugueses fazem as duas coisas: uma base em barras e uma reserva de moedas para ter margem de manobra.
O prémio na venda: o spread
O prémio conta apenas metade da história. O que decide o seu resultado é o spread — a distância total entre o preço a que compra e o preço a que lhe recompram. Quando vende, recebe normalmente um pouco abaixo do spot: as cotações de recompra colam-se ao spot nas barras padrão e nas moedas conhecidas, e afastam-se claramente nos pequenos fracionamentos e nos produtos exóticos.
O custo real de um investimento é, portanto, a viagem completa: comprar acima do spot e vender abaixo dele. É precisamente por isso que os produtos padrão líquidos, de spread apertado, saem quase sempre mais em conta. Junta-se a isto a questão fiscal portuguesa: um ganho na venda é tratado como mais-valia e sujeito à taxa autónoma de 28 % prevista no CIRS, com a possibilidade de optar pelo englobamento — juntar o ganho aos restantes rendimentos e tributá-lo pelo escalão progressivo, o que só compensa se a sua taxa efetiva ficar abaixo dos 28 %. O prémio que pagou faz parte do valor de aquisição: reduz a mais-valia tributável no dia em que vender, mas só se conseguir prová-lo. Guarde a fatura com data, peso e preço. Uma nota de transparência: a fonte em que assenta esta leitura trata expressamente do ouro; para a prata, a platina e o paládio o enquadramento das mais-valias não está esclarecido, e preferimos dizê-lo a fingir uma certeza que não temos. O que uma venda renderia na prática estima-se com a calculadora de preço de compra.
Prata, platina e IVA em Portugal
O caso especial a conhecer: ao contrário do ouro para investimento, que beneficia da isenção de IVA do regime especial do CIVA, a prata, a platina e o paládio não estão isentos. O IVA sobre a prata está dentro do preço que lhe pedem e faz o prémio parecer altíssimo à primeira vista.
Nesta edição nacional, a taxa aplicada à prata, à platina e ao paládio é de 23 %. Atenção às regiões autónomas: na Madeira a taxa normal é de 22 % e nos Açores de 16 % — a mesma moeda de prata sai mais barata num negociante açoriano do que num do continente, e o prémio calculado desce na mesma proporção. Se um negociante português pode ou não recorrer ao regime da margem nos metais preciosos não está esclarecido de forma definitiva — e não vamos fingir o contrário em nenhum dos sentidos: nada de publicado põe a questão fora de dúvida. A calculadora segue por isso o caminho prudente, aplica a taxa integral à totalidade do preço e assinala a faixa resultante como estimativa. Se um vendedor lhe apresentar um preço calculado pela margem, é perfeitamente razoável perguntar por escrito em que regime de IVA assenta a fatura.
A calculadora confronta o preço que lhe pediram com o valor do metal puro; na prata, na platina e no paládio o prémio apresentado lê-se, portanto, com IVA incluído. Não é um erro de conta — é mesmo o que sai da sua conta bancária. Para uma leitura honesta, alinhe compras comparáveis: moeda de prata contra moeda de prata, barra contra barra, de vendedores que faturam da mesma maneira e na mesma região.
Regras fiscais desta edição nacional verificadas pela última vez em: 08/08/2026.
Em resumo: no ouro o prémio é só acréscimo comercial. Na prata, na platina e no paládio arrasta consigo o IVA de 23 % (22 % na Madeira, 16 % nos Açores), e é por isso que a percentagem parece tão maior para exatamente o mesmo peso de metal.
O prémio como indicador de mercado
O prémio não é fixo — respira ao ritmo do mercado. Quando a procura dispara (crises, medo de um colapso, casas da moeda sem discos), os prémios sobem em flecha, por vezes até várias vezes o nível normal, e os prazos de entrega alongam-se. Nas fases calmas, com stocks bem fornecidos, voltam a descer.
Para quem compra, isto corta dos dois lados. Um prémio baixo indica normalmente um mercado descontraído e bem abastecido — bom momento para uma compra física. Prémios muito inchados denunciam tensão no mercado do metal real, faça o spot o que fizer. Para quem compra a longo prazo, um prémio baixo vale mais do que tentar acertar no dia perfeito.
Erros frequentes com o prémio
- ◆Olhar só para o valor do metal: Dois produtos com a mesma quantidade de metal fino podem ter preços sensivelmente diferentes. Só o prémio torna uma oferta cara ou barata.
- ◆Esquecer portes e taxas de pagamento: Um prémio baixo serve de pouco se os portes, o seguro do envio e a comissão do cartão o recuperarem logo a seguir. Compare sempre o total que sai da sua conta.
- ◆Escolher fracionamentos demasiado pequenos: Muitas unidades pequenas em vez de uma grande: o prémio em percentagem come visivelmente o seu resultado, como mostra o exemplo dos 10.000 € acima.
- ◆Tomar um preço abaixo do valor do metal por uma pechincha: Um preço claramente inferior ao spot é um sinal de alerta — falsificação ou burla — e nunca um golpe de sorte. Por vezes é apenas uma cotação de recompra lida ao contrário.
- ◆Confundir prémio com spread: O que conta para o seu resultado é a viagem completa: o prémio na compra mais o desconto na venda. Um spread apertado vale mais do que uma percentagem bonita à entrada.
- ◆Comprar moedas de coleção como investimento: O acréscimo numismático não é um prémio sobre o metal — na hora de vender, o preço de coleção muitas vezes já desapareceu. E o ganho que houver continua sujeito à taxa autónoma de 28 % como qualquer outra mais-valia.