Verificação de identidade
Também: Identificação do cliente, KYC, Know Your Customer, Controlo de documento
A verificação de identidade é a identificação legalmente exigida do cliente na compra ou venda de metais preciosos a partir de certos limiares, ao abrigo da lei de branqueamento de capitais (Lei 83/2017).
Quem compra ou vende ouro, prata ou outros metais preciosos em numerário depara-se, mais cedo ou mais tarde, com a verificação de identidade. Os negociantes estão obrigados, ao abrigo da lei portuguesa de branqueamento de capitais, a determinar a identidade dos seus clientes sempre que uma operação ultrapasse determinados limiares ou existam indícios de suspeita. O objetivo: impedir o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo através do comércio de metais preciosos.
Base jurídica
A Lei 83/2017, de 18 de agosto (que estabelece medidas de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo), classifica os negociantes em bens de elevado valor — incluindo metais preciosos — como "entidades obrigadas". Estas têm de cumprir deveres de diligência, entre os quais a identificação do cliente. No comércio de metais preciosos aplicam-se limiares em função do valor da operação:
| Limiar | Situação | Dever |
|---|---|---|
| Operação ocasional ≥ 15 000 € | Compra ou venda de metais preciosos | Identificação completa |
| Abaixo do limiar | Suspeita de branqueamento | Identificação e eventual comunicação à UIF |
| Operações fracionadas relacionadas | Montante global ≥ 15 000 € | Identificação obrigatória na mesma (proibição de "smurfing") |
Adicionalmente, a Lei 92/2017 proíbe pagamentos em numerário de bens ou serviços iguais ou superiores a 3 000 € (residentes) — ou 10 000 € para pessoas singulares não residentes que não atuem como empresários ou comerciantes. Nas operações não monetárias (transferência bancária) a identidade fica, em regra, já demonstrada pela via de pagamento.
Nota: os limiares e a sua interpretação podem alterar-se por via legislativa. Isto não constitui aconselhamento jurídico nem fiscal.
O que é verificado?
O negociante recolhe e documenta os seguintes dados:
- Nome completo
- Local e data de nascimento
- Nacionalidade
- Morada
- Tipo e número do documento de identificação (cartão de cidadão ou passaporte)
Os dados são, em regra, copiados ou digitalizados e conservados durante sete anos. É obrigatório um documento oficial de identificação com fotografia válido. O cartão de utente do SNS não é aceite; um documento sem fotografia também não é considerado suficiente — apenas o cartão de cidadão ou o passaporte são reconhecidos.
Procedimento junto do negociante de metais preciosos
Normalmente, uma verificação de identidade decorre assim:
- O cliente pretende comprar ou vender moedas ou barras de ouro acima do limiar (por exemplo, com base na calculadora de preço de compra).
- O negociante solicita um cartão de cidadão ou passaporte válido.
- Os dados são recolhidos e o documento é copiado.
- A operação é documentada internamente e arquivada de forma inviolável.
- Só depois a transação é concretizada.
Se um cliente recusar a identificação, o negociante tem de recusar o negócio e, se for caso disso, apresentar uma comunicação de operação suspeita à Unidade de Informação Financeira (UIF).
Compra ao balcão e anonimato
A chamada compra anónima ao balcão — uma compra em numerário sem identificação — só é possível no comércio de metais preciosos abaixo dos limiares legais. Acima destes limites não existe forma legal de adquirir ou vender metais preciosos anonimamente em numerário. Isto aplica-se independentemente de a compra ser feita num negociante de metais preciosos, num banco ou numa casa de penhores.
Também no caso de várias transações manifestamente fracionadas para contornar o limite de dinheiro (o chamado "estruturar"), o negociante é obrigado a determinar a identidade e a comunicar a situação.
Relação com a obrigação fiscal
A verificação de identidade não tem influência direta no tratamento fiscal de um ganho na venda de metais preciosos. Em Portugal, a venda por um particular gera mais-valias sujeitas a IRS, tributadas à taxa autónoma de 28 % (com opção de englobamento). Não existe em Portugal o prazo de especulação alemão. Ainda assim, a documentação legal cria transparência perante as autoridades fiscais. Não constitui aconselhamento fiscal nem financeiro — em caso de dúvida, consulte um contabilista certificado.
Em resumo
A verificação de identidade é um instrumento legalmente obrigatório de combate ao branqueamento de capitais no comércio de metais preciosos e afeta qualquer comprador ou vendedor que realize operações em numerário acima dos limiares legais. Quem compra ou vende ouro e ultrapassa os valores-limite deve ter sempre consigo um documento de identificação válido.