Relógios com metal precioso
Também: Relógios de ouro, relógios de platina, relógios em metal precioso
Relógios de pulso e de bolso cuja caixa, bracelete ou mostrador são feitos, total ou parcialmente, de ouro, prata, platina ou paládio.
Os relógios com caixa de metal precioso contam-se entre as mais antigas e importantes formas de uso do ouro, da prata, da platina e do paládio. Já no século XVI os relojoeiros da corte fabricavam relógios de bolso em ouro maciço; hoje os relógios de pulso em ouro de 18 quilates ou platina dominam o segmento de luxo. O preço do ouro e o preço da platina determinam de forma decisiva qual o valor intrínseco contido numa caixa de metal precioso.
Ligas e toques
As caixas de relógio raramente são fabricadas em ouro fino (999 ‰), pois o ouro puro é demasiado mole. Ligas habituais:
| Liga | Toque | Quilates | Utilização típica |
|---|---|---|---|
| Ouro amarelo | 750 ‰ | 18 kt | Relógio de luxo padrão |
| Ouro rosa | 750 ‰ | 18 kt | Modelos desportivo-elegantes |
| Ouro branco | 750 ‰ | 18 kt | Frequentemente ródiado |
| Platina | 950 ‰ | – | Segmento de luxo mais alto |
| Prata | 925 ‰ | – | Relógios de entrada e vintage |
A platina (Pt 950) é mais pesada e mais densa do que o ouro — uma caixa de platina de igual tamanho pesa nitidamente mais, o que na relojoaria é considerado um sinal de qualidade.
Valor de fusão vs. valor do relógio
O valor de fusão de uma caixa de ouro pode ser calculado facilmente:
Valor de fusão = Peso bruto (g) × Toque × Preço do ouro atual (€/g)
Utilize para tal a calculadora de valor de fusão. Nas marcas de luxo, o valor da marca ultrapassa em várias vezes o mero valor material — em relógios baratos ou danificados, porém, o valor de fusão pode ser a única grandeza relevante. O preço de compra é sempre calculado pelos negociantes abaixo do valor de fusão.
Compra e venda
Ao vender um relógio de metal precioso, há dois caminhos possíveis:
- Comércio de relógios — o valor da marca mantém-se; faz sentido em modelos bem conservados de manufaturas conhecidas.
- Fusão / compra como ouro usado — o valor material como base; relevante em peças danificadas, desconhecidas ou puramente maciças.
Mostradores cunhados, trabalhos em esmalte ou movimentos mecânicos podem aumentar consideravelmente o valor total, independentemente da fração de metal precioso.
IVA e mais-valias (Portugal)
Os relógios de metal precioso não são ouro de investimento no sentido do regime especial do ouro para investimento (CIVA / Diretiva 2006/112/CE). Os compradores pagam, por isso, na compra ao negociante, a taxa normal de IVA de 23 % (Continente). Os negociantes que compram relógios usados a particulares podem, em muitos casos, aplicar a tributação pela margem (regime especial dos bens em segunda mão).
Quanto ao imposto sobre o rendimento: a venda de um relógio por um particular pode, em regra, gerar mais-valias tributadas em sede de IRS à taxa autónoma de 28 % (com opção de englobamento), calculadas como valor de realização menos valor de aquisição comprovado por faturas. Não existe um prazo de especulação como no direito alemão. Para peças de coleção de elevado valor ou relógios de investimento, a Autoridade Tributária pode avaliar a situação caso a caso. Não constitui aconselhamento fiscal ou de investimento — consulte um contabilista certificado em cada caso concreto.
Marcação e verificação
Os relógios de metal precioso apresentam, regra geral, uma punção (marca de toque) na caixa ou no fecho, frequentemente complementada por uma marca do fabricante. Em vários países europeus aplica-se a Convenção de Viena sobre a marcação (International Convention on Hallmarking). Quem duvide da autenticidade de uma punção pode mandar analisar o relógio numa refinaria de metais preciosos ou num laboratório de ensaios certificado.
Em resumo
Os relógios com caixa de metal precioso unem o valor artesanal a um valor material mensurável — o preço do ouro constitui sempre o limite inferior de valor, enquanto a marca, o movimento e o estado empurram o valor de mercado para cima.