Ouro usado
Também: Ouro de sucata, Ouro em segunda mão, Scrap gold
Ouro usado designa objetos de ouro utilizados ou danificados — joias, ouro dentário, moedas e resíduos industriais — que são fundidos e refinados para recuperar o ouro fino neles contido.
Ouro usado é o termo genérico para todos os objetos que contêm ouro, que saíram da sua finalidade original e cujo teor de ouro se pretende recuperar por fundição e subsequente refinação. Incluem-se aqui joias partidas ou desgastadas, ligas de ouro dentário, moedas de ouro antigas com danos, componentes eletrónicos dourados, bem como resíduos de produção da indústria de joalharia. O preço do ouro atual determina decisivamente quando compensa o esforço da recuperação.
O que conta como ouro usado?
A designação não está definida por lei, mas estabeleceu-se no comércio de metais preciosos para as seguintes categorias:
| Categoria | Toque típico | Exemplos |
|---|---|---|
| Joias partidas | 333–750 | Anéis, colares, brincos com risco ou partidos |
| Ouro dentário | 585–900 | Coroas, pontes, incrustações de ligas dentárias |
| Moedas de ouro antigas | 900–999 | Sovereign, ducados, peças de 20 marcos danificadas |
| Sucata industrial/eletrónica | 0,5–999 (consoante a fração) | Contactos, fios de bonding, placas de circuito |
| Semiprodutos e limalhas | variável | Resíduos de forja e fresagem de ourivesarias |
As fontes mais clássicas para particulares são joias que já não se usam ou que quase não têm valor de revenda como objeto de uso, bem como ouro dentário de próteses removidas.
Valor de fundição: o indicador decisivo
Antes de vender ou entregar o ouro usado a uma refinaria, deve determinar-se o valor de fundição (também: valor do material). Resulta do peso bruto, do toque e do preço spot atual:
Valor de fundição = Peso bruto (g) × Toque (‰ / 1000) × Preço do ouro (€/g)
Um anel com 5 g de peso bruto e punção 585 (= 58,5 % de ouro) contém, a um preço do ouro de 85 €/g, em termos de cálculo:
5 g × 0,585 × 85 €/g = 248,63 € de valor de fundição
Este valor pode ser determinado rapidamente com a calculadora de valor de fundição — basta introduzir o peso, a liga e a unidade.
Preço de compra vs. valor de fundição
O preço de compra efetivamente pago fica sempre abaixo do valor de fundição teórico, porque os compradores incorporam os seguintes custos:
- Taxa de refinação – custos de fundição e refinação (tipicamente 5–15 %)
- Custos de análise – determinação do toque por fluorescência de raios X ou toque de ensaio
- Margem comercial – acréscimo de lucro do comprador
- Risco de cotação – cobertura contra oscilações de preço até à revenda
Na prática, os particulares recebem, consoante o fornecedor, a quantidade e a pureza, 70–90 % do valor de fundição. Vale a pena comparar: as refinarias pagam, em regra, mais do que casas de penhores ou joalheiros, por atuarem diretamente no mercado. Estime o montante a receber com a calculadora de preço de compra.
Determinar o toque – antes de vender
A punção de toque marcada (quilate ou milésimos) informa sobre a percentagem de ouro. Se faltar a punção ou estiver ilegível, um comprador ou uma refinaria pode determinar o toque analiticamente. Métodos correntes:
- Toque na pedra – aproximação rápida, precisão ±5–10 ‰
- Fluorescência de raios X (FRX) – não destrutiva, muito precisa, padrão nos compradores sérios
- Copelação / análise química por via húmida – destrutiva, máxima precisão, para maiores quantidades
Ligas como o ouro branco, o ouro rosa ou antigas ligas de fundição dentária contêm, além de ouro, outros metais (prata, cobre, paládio, platina); o seu teor influencia o valor total, uma vez que as refinarias por vezes também remuneram os metais secundários.
O ouro dentário como caso especial
O ouro dentário raramente é constituído por uma única liga. São típicos teores de ouro de 60–90 % (punção 600–900), misturados com prata, paládio, platina e cobre. Os compradores de ouro dentário analisam a liga completa e remuneram todos os metais preciosos. A calculadora de ouro dentário dá uma primeira orientação sobre que percentagem corresponde ao ouro.
Reciclagem e importância no mercado
A reciclagem de ouro usado é um pilar importante da oferta global de ouro. Segundo o World Gold Council, 25–30 % da oferta anual de ouro provém regularmente de fontes de reciclagem — em anos de preços elevados esta parcela aumenta, porque mais proprietários estão dispostos a vender ouro entesourado. Isto faz da reciclagem um amortecedor elástico do mercado: se o preço do ouro sobe fortemente, chega mais ouro usado ao mercado e atenua ligeiramente a subida.
Para o ambiente, a reciclagem é vantajosa face à produção primária: o tratamento de ouro usado consome muito menos energia e não gera escombreiras nem efluentes químicos como o processo de mineração a céu aberto e de lixiviação nas minas de ouro.
Notas fiscais e jurídicas
Os particulares que vendem ouro usado do próprio agregado familiar realizam, em regra, uma mais-valia. Em Portugal, o ganho na venda de metais preciosos por um particular é tributado como mais-valia no IRS, à taxa autónoma de 28 % (com opção de englobamento). A mais-valia corresponde ao valor de realização menos o valor de aquisição (comprovado por faturas); não existe o prazo de especulação alemão. Nas transações em numerário aplica-se o limite da Lei n.º 92/2017 (3 000 € para residentes / 10 000 € para não residentes) e as obrigações de identificação da Lei n.º 83/2017 de combate ao branqueamento de capitais. Este texto não substitui aconselhamento fiscal ou jurídico – em caso de dúvida, consulte um contabilista certificado.
Em resumo
O ouro usado não é lixo, mas uma matéria-prima mensurável: o valor de fundição calcula-se com exatidão a partir do peso, do toque e do preço do ouro atual. Quem conhece o valor do material antes de vender e compara vários compradores obtém resultados nitidamente melhores do que aceitando a primeira proposta.